Cariocas já usam blindagem em suas casa por conta dos conflitos em favelas

Acredito que a notícia abaixo fala por si: Desfavelização já.

Leiam:

Do G1:

Prédio blindado pela associação de moradores no Morro do Fogueteiro, em Santa Teresa, ao lado de quadra com muro reforçado contra balas perdidas

Prédio blindado pela associação de moradores no Morro do Fogueteiro, em Santa Teresa, ao lado de quadra com muro reforçado contra balas perdidas

O nível de peculiaridade carioca em termos proteção predial vem aumentando na mesma proporção em que cresce, na cidade, a procura pela blindagem arquitetônica.

 

Para fugir das balas perdidas – e também das que têm alvo certo – até moradores de áreas de risco como o Morro do Fogueteiro, em Santa Teresa, no Centro, blindaram um prédio planejado para ser uma creche municipal. 

O imóvel de quatro andares está sendo usado pela associação de moradores, que promove cursos de capacitação para jovens.

A blindagem em localidade inusitada surpreendeu Emerson Mendonça dos Santos, o presidente da Câmara de Blindagem Arquitetônica, da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin). Ele lembrou que, apesar de os custos terem baixado, a proteção predial ainda é relativamente cara para os padrões da classe média.

“A procura vem aumentando na faixa de 20% a 30%. A maioria dos clientes são grandes empresas e condomínios situados perto de áreas de risco. Mas nunca tinha ouvido falar prédio blindado em favela. É preciso verificar que tipo de trabalho foi feito”, alertou Santos.

Diretor da EMS Blindagem, que projeta e executa serviços arquitetônicos, Santos diz que para que o cliente tenha a certeza de garantia da proteção a empresa contratada deve ter Certificado de Registro, Título de Registro e Relatório Técnico de Experimentação (Retex) emitidos pelo Exército – que controla todo tipo de blindagem feito no Brasil. Só assim é possível ter certeza que o serviço contratado é seguro.

“Isso é importante para mostrar que o material (aço, fibras sintéticas de alta performance e vidro) utilizado foi aprovado e testado pelo Exército. Mas é importante também verificar os níveis de blindagem”, detalhou Santos.

 Blindagem mais cara para tiros de fuzil

Qualquer pessoa física ou empresa pode contratar o serviço de blindagem. Cômodos, casas, apartamentos ou fachadas inteiras podem ser protegidos. Para prédios inteiros, é preciso fazer um estudo a fim de saber se o peso do material não vai afetar a estrutura da construção.

Desde que seja feita a manutenção para evitar a corrosão do aço, a blindagem pode durar por muitos anos.

A blindagem arquitetônica mais procurada no Rio é feita com chapas de aço e vidro. Como todo o material tem de ser feito sob medida, o serviço acaba saindo caro.

Para a blindagem mais leve (do tipo III-A) – que suporta o impacto de balas de revólver 38 e pistolas de calibre 45, 9mm, 357 e Magnum 47 – o metro quadrado do vidro varia de R$ 1.800 a R$ 1.900, do caixilho R$ 500 e da chapa de aço R$ 1.000 a R$ 1.200. 

Já para a blindagem mais resistente (do tipo III), que agüenta tiro de fuzil AR-15, AK-47, FAL 7.62 e que foi usada no Caveirão – o metro quadrado do vidro varia de R$ 2.700 a R$2.800, enquanto que o metro quadrado do caixilho fica em R$ 800 e da chapa de aço, que chega a ter seis centímetros de espessura, pode custar de R$ 2.200 a R$ 2.300.

Santos lembra que também pode ser considerada blindada uma parede de concreto maciço com 20 centímetros de espessura. Paredes feitas com tijolos vazados, mesmo com espessura maior não seguram tiros de fuzil.

 Grandes empresas e condomínios

Por causa do preço elevado, os maiores clientes, segundo Santos, estão concentrados em áreas da cidade onde o poder aquisitivo é maior. Ou seja, são condomínios e grandes empresas da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste, e em residências perto de favelas na Zona Sul.

Ao contrário da blindagem de carros, não é preciso ter autorização do Exército para blindar a própria casa. Segundo o presidente da Câmara de Blindagem Arquitetônica, o interessado – empresa ou pessoa física – tem de preencher um cadastro minucioso, que é enviado pela firma de blindagem ao Exército.

“É a forma que temos para controlar a utilização do serviço e tentar evitar blindar casas de traficantes, por exemplo”, observou Santos, que está preparando um estudo para a blindagem de um quilômetro de muro na estação do metrô da Central, para proteger os operários que fazem a manutenção da via dos tiros disparados do Morro da Providência, no Centro. 

 Peculiaridade carioca

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Blindagem, Christian Conde, enquanto São Paulo é campeão nas blindagens em áreas de acesso – guaritas e portarias – o Rio tem como peculiaridade a blindagem de fachadas inteiras.

“E sempre do nível mais alto, principalmente porque no Rio, tantos os bandidos quanto a polícia usam fuzis”, disse Conde.

Ele lembra que a blindagem arquitetônica tem mais de 30 anos no Brasil, mas que era usada basicamente em instalações militares. Com o aumento da violência, a blindagem arquitetônica está aumentando e impulsionando mais ainda a de automóveis.

“O Brasil é um dos países onde mais se usa blindagem. Agora, já tem prédio blindado até em favela. Por isso, já somos referência na produção e instalação de blindagens.”, disse Conde.

 

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