São José dos Campos aposta habitação popular para desfavelizar o município

Leiam abaixo a reportagem do jornal Vale Paraibano de dezembro de 2003. Trata-se da transferência de famílias para novas moradias. Na época, esta já era uma aposta do município de São José dos Campos contra a favelização. Isto é um exemplo para o Rio de Janeiro que necessita urgente da desfavelização. 

Famílias são transferidas da favela Caparaó para casas no Jardim São José

Após a saída dos 15 caminhões com a mudança, tratores destruíam os barracos

Guilhermo Codazzi

São José dos Campos

As 31 famílias que moravam na favela Caparaó, na zona leste de São José dos Campos, foram transferidas na manhã de ontem para casas construídas no Jardim São José pelo Programa de Desfavelização da prefeitura. Além dos moradores da Caparaó, foram transferidas 16 famílias cadastradas que não residem mais nos núcleos do programa.

O programa, orçado em R$ 9,2 milhões e financiado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), prevê a transferência dos moradores das favelas Nova Tatetuba, Caparaó e Nova Detroit, na zona leste da cidade, para 453 casas populares construídas no Jardim São José.

A mudança de ontem começou por volta das 7h. Quando os 15 caminhões da SSM (Secretaria de Serviços Municipais) chegaram à favela encontraram moradores ansiosos pela mudança. “A noite foi longa”, disse a dona-de-casa Letícia de Souza, 31 anos, moradora da favela havia 13 anos.

Colocados do lado de fora dos barracos, gaiolas, colchões, trouxas de roupa, butijões de gás, geladeira, gatos, cachorros e alguns poucos móveis já aguardavam a chegada dos caminhões. “É só tranqueira, mas foi tudo conquistado com honestidade”, disse o ajudante de pedreiro Almir de Souza, 34 anos.

Momentos antes da transferência, o carroceiro Roberto Pereira, 23 anos, ainda estava inquieto. “Quero levar meu cavalo e minha carroça. Se eu não levar, onde vou achar outro trabalho? É meu único sustento”, disse o carroceiro, que teve que ir até o Jardim São José a galope.

DEMOLIÇÃO – Após a mudança e o transporte das famílias, realizado pela prefeitura, um trator da prefeitura demoliu os barracos da favela. De acordo com a Secretaria de Obras, a área será cercada e ficará sob responsabilidade da empresa ETP, proprietária do terreno.

“Achei a casa muito boa, estava esperando isso há muitos anos. Espero que Deus nos ajude”, disse a dona-de-casa Lavínia Dias, 64 anos, ao receber a chave de sua nova casa.

De acordo com a secretária de Obras e Habitação, Maria Rita Singulano, as obras de acabamento dos muros e das ruas do Jardim São José devem ser finalizadas até o fim deste ano.

“Devem estar prontas até o dia 30 de dezembro. Na segunda-feira a UBS (Unidade Básica de Saúde) já terá um médico a disposição e estaremos com a creche e a escola funcionando antes do período letivo”, disse.

        TRANSFERÊNCIA – Na próxima semana, os moradores da favela Nova Detroit e Nova Tatetuba também irão até o Jardim São José para vistoriar as casas, respectivamente na segunda e na quinta-feira.

As transferências dos moradores das favelas Nova Detroit e Nova Tatetuba estão marcadas respectivamente para terça e sexta-feira da próxima semana.

 

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