A cidade de Natal identifica a necessidade da desfavelização

Outra reportagem que mostra claramente o quanto estamos atrasados em desfavelização é esta abaixo, punlicada no ano passado. Em Natal, há críticas e pedidos aos governantes para que a desfavelização aconteça. No Rio de Janeiro, nem isto acontece. Precisamos unir forças para que um Rio sem favelas possa ser uma realidade em breve.

 

Desfavelização é caminho para expansão do Porto de Natal 

Texto publicado em 31 de Julho de 2007 s 06h52

 

Bruno Rios

reportagem 

  

Todos sabem que o Brasil tem um potencial imenso para desenvolver seu setor portuário, com mais de 40 cidades aptas a receber navios de cargas e grandes embarcações. E como o cenário da economia mundial tem nos ajudado, a perspectiva de crescimento para os portos do País é excelente. Mas para que todos os projetos saiam do papel e tornem-se realidade, será preciso investir maciçamente em habitação. Sim, pode parecer estranho falar isso em um primeiro momento, mas a realidade mostra que muitas comunidades ribeirinhas formaram-se justamente em áreas próximas a terminais e berços de atracação.

 

        Esse fruto da histórica falta de planejamento do setor portuário incomoda as autoridades do Porto de Natal, que têm como principal objetivo de 2007 resolver de uma vez por todas a remoção de 381 moradores da comunidade do Maruim, onde estão construídas hoje 96 casas, todas com infra-estrutura zero. Entre as idéias, a proposta mais simpática é usar parte de uma área da Transpetro e BR Distribuidora, ambas da Petrobras, para abrigo da comunidade. A Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) vai requerer 1,8 dos 12 hectares do terminal.

       

O único problema e que deixa no ar um clima de dúvida sobre o futuro do pessoal de Maruim é um projeto da Petrobras para utilização desses 12 hectares. A estatal quer transformar o local em um pólo de combustíveis com operação exclusiva de produtos renováveis, o chamado biocombustível, tão em moda ultimamente. O projeto prevê ainda área de lazer, espaços culturais e tratamentos paisagísticos e ecológicos, com plantio de vegetais geradores de biodíesel.

 

No entanto, se tudo der certo, o futuro terminal terá como vizinhos não só o os moradores de Maruim, mas também de outra comunidade, conhecida como Vietnã, situada em Santos Reis. À imprensa potiguar, o diretor presidente da Codern, Renato Fernandes, disse que o Maruim ocupa 17 mil metros quadrados de área, que precisa ser usada para ampliação da retroárea do Porto de Natal, com a ampliação do parque de estocagem e construção de um novo pátio de contêineres.

 

A área de Maruim também será importante para a implantação da cabotagem (navegação entre portos brasileiros) de forma mais ágil, podendo alcançar até mesmo a marca de três mil contêineres a mais movimentados por mês no Porto de Natal. Nunca os empresários do estado estiveram tão interessados em aproveitar essa forma de transporte, mais lenta, porém muito mais segura que as estradas e ferrovias brasileiras.

 

Vale lembrar que, nos últimos meses, a discussão sobre a expansão de outro porto brasileiro, o de Santos, foi tema de diversas reportagens do PortoGente, que mostrou a realidade de três comunidades vizinhas ao porto: Vila do Sapo, em Santos, Prainha e Sítio Conceiçãozinha, na vizinha Guarujá. A remoção dessas famílias é discutida por autoridades do setor, mas a única esperança vem das verbas do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), tão festejado, porém sem resultados práticos até o momento no setor portuário.

 

Raio-X

 

O Porto de Natal trabalha com cargas refrigeradas, frutas e pescados, açúcar, trigo e contêineres. A partir de 1997, com a retirada da pedra da Bicuda, que ficava na entrada do porto, e com a dragagem do Rio Potengi, o calado subiu de 7,5 para os atuais 10 metros, atraindo novos investidores e consolidado rotas diretas do Rio Grande do Norte para países europeus. Hoje são três berços de atracação e dois em fase final de planejamento.

 

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