Leme terá um minibatalhão da Polícia Militar

Chapéu-Mangueira - LemeEscrevi, no post de ontem, o quanto os moradores do Leme, na Zona Sul, estão indignados com a violência e a desordem que as favelas trazem à  região. Mas, ao invés do governo pensar em desfavelizar a cidade, o  secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, anunciou que será construído um minibatalhão da PM no alto do Morro da Babilônia como informa reportagem publicada hoje no jornal O Globo.

        Segundo a reportagem, a nova unidade ficará numa área de mata, perto de trilhas usadas hoje por bandidos no caminho para o Morro do Chapéu Mangueira. A iniciativa tem como objetivo impedir os confrontos entre quadrilhas rivais, que desde maio têm levado pânico aos moradores da região.

   O ponto onde ficará a nova unidade será escolhido até sexta-feira pela Empresa de Obras Públicas (Emop), que vai avaliar o terreno viável e a questão ambiental. A verba para a obra, ainda não calculada, será da própria Secretaria de Segurança e já está garantida. O minibatalhão deve estar pronto no fim deste ano.

     Já a reportagem publicada ontem no site G1 relata com detalhes a rotina dos moradores da Zona Sul e a vontade da popilação carioca de ter de volta a sua paz e se ver livre das favelas.

Do G1:

     Um dos últimos redutos de tranqüilidade da cidade, o pequeno bairro do Leme, na Zona Sul do Rio, vem sofrendo arranhões em seu charme. Os tiroteios entre traficantes dos morros da Babilônia e Chapéu Mangueira ocorridos entre maio e o início de junho despertaram nos moradores a vontade de buscar soluções para os problemas de infra-estrutura, segurança e preservação ambiental para que o lugar volte a ser um paraíso.

     Aliado à falta de segurança, moradores enumeram a deficiência na iluminação pública, a ocupação das calçadas por moradores de rua, o lixo não coletado nos morros e que depois de uma chuva entope as ruas e que, aos poucos, vão minando a qualidade de vida na região.

      O presidente da Associação de Moradores do Leme (Ama-Leme), Francisco Nunes diz que a sensação de falta de segurança aumentou depois dos tiroteios. Mas nega veementemente que o bairro seja violento. Ao contrário, disse que a guerra do tráfico foi um fato isolado.

      “O bairro não tem uma história de violência. O Leme é um bairro residencial com potencial turístico, mas que infelizmente está fora das políticas de investimentos públicos. Poderíamos ser um modelo de urbanização e de preservação ambiental, mas as autoridades preferem investir em Copacabana”, lamentou o presidente, dizendo que o último governo a investir no Leme foi o de Marcello Alencar.

Desordem urbana: calçadas são tomadas por moradores de rua

      Integrante do grupo voluntário de moradores que há um ano criou o SOS Leme, Clarice Peixoto, diz que o problema da segurança vem a reboque da falta de investimentos no bairro. Ela lembra projetos de reurbanização das favelas que não foram adiante e reclama do crescimento populacional desordenado do bairro.

       “A segurança diminui diante do crescimento populacional desordenado, que invade áreas protegidas. O crescimento sem limites das comunidades traz problemas de saneamento, de falta de água, de energia e excesso de lixo. Tudo isso resulta da queda da qualidade de vida do bairro. Queremos recuperar o status de bairro nobre e tranqüilo do Leme”, disse Clarisse.

      Para isso, o SOS Leme organizou o primeiro encontro com representantes do bairro, das comunidades do Chapéu Mangueira e da Babilônia e secretarias estaduais para discutir projetos para áreas de segurança, meio ambiente, assistência social, direitos humanos, educação e saúde. O encontro, aberto a moradores e comerciantes do bairro, foi realizado às 19h desta segunda-feira (30), no salão do Hotel Golden Tulip, no Leme.

  Tiroteios assustaram, mas bairro voltou à rotina

      O aposentado Pedro Orlando, que há mais de 60 anos vive na Rua Roberto Dias Lopes, que fica próxima do Morro da Babilônia, na época dos tiroteios, os moradores ficaram bastante assustados. Hoje, vivem preocupados sabendo que os confrontos podem voltar a ocorrer.

      “Antes, isso não existia. Agora, vivemos preocupados. Mas isso ainda não afetou a rotina do bairro”, garantiu o morador.

      O economista aposentado Luiz Carlos Souza, que há 60 anos vive na Rua General Ribeiro da Costa, defronte do Morro do Chapéu Mangueira, contou que o condomínio do prédio onde mora pensou em blindar as janelas dos apartamentos. Mas desistiu, já que a relação custo benefício não era vantajosa.

     “Os 23 apartamentos teriam de pagar R$ 15 mil por uma blindagem que só tem cinco anos de garantia. Durante todos esses anos nunca tivemos problemas com balas perdidas. Isso só aconteceu agora. Chegamos à conclusão que é preferível cobrar mais ação das autoridades”, disse Souza.

      O morador observa que por causa dos últimos acontecimentos, alguns moradores pensaram em deixar o bairro. Principalmente, os que moram nas ruas mais próximas dos morros. Nesses locais, segundo Souza, o índice de desvalorização dos imóveis chegou a 50%. Mas ele ressalta: “Ainda tem mais gente querendo vir morar no Leme do que gente querendo sair daqui.”

  Moradores antigos querem mais atenção

     O advogado Sylvio Motta, que há 63 anos mora no final da Avenida Atlântica, diz que sua maior preocupação é com a falta de manutenção dos serviços públicos do bairro. Para ele é preciso investir em infra-estrutura, como a melhoria da iluminação pública ou a conservação das calçadas. Principalmente, porque no bairro moram muitos idosos e militares aposentados. Segundo informações obtidas por um vizinho na Região Administrativa, dos 33 mil habitantes do Leme, 20 mil são da terceira idade.

     “O Leme só precisa de um pouco mais de atenção das autoridades, não pode ficar tão esquecido”, disse Motta.

        Segundo a professora Ana Ramirez, que há cinco anos mora na Rua Aurelino Leal, apesar dos últimos acontecimentos, o Leme ainda é um oásis de tranqüilidade. Principalmente, se for levar em conta a vizinha Copacabana. No entanto, enumera alguns problemas que afetam a qualidade de vida na região.

   “Comparado com os outros bairros cariocas, o Leme é um paraíso. Mas camelôs e mendigos estão tomando conta das calçadas e cresce assustadoramente a invasão áreas protegidas da mata”, destacou a moradora.

 

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