Desfavelização: Uma exigência ética

Encontrei um artigo do senador Jefferson Peres, sofre a necessidade da desfavelização. Na época em que foi escrito, agosto do ano passado, este artigo foi polêmico. As críticas se deram pelo fato do senador ser historicamente de esquerda e usou o termo desfavelização. Isto é uma bobagem. Sempre digo neste blog que a desfavelização não é uma questão de posicionamento político e é sim uma necessidade do Rio de Janeiro, cidade com centenas de favelas e sem qualquer projeto ou diretriz para tratamos a questão com a urgência que ela merece.

 

Desfavelização: Uma exigência ética

 

Jefferson Péres

       

        Volto ao tema abordado no último domingo – reforma urbana – dada a sua enorme importância, por se tratar de um problema social, mas também de natureza ética.

Sim, porque ética não diz respeito apenas ao dever de observar princípios morais, mas igualmente de solidariedade com o sofrimento dos outros. E me parece eticamente inaceitável, num país com o nível de desenvolvimento do Brasil, conviver com a partição das nossas cidades em duas metades de um contraste chocante. De um lado, cidadãos na pleniposse dos seus direitos, a desfrutar de um padrão de vida decente; de outro, subcidadãos vivendo à margem, privados de quase tudo.

        Esse problema, agravado pela demagogia de governos populistas, felizmente parece que começa a ser enfrentado agora. Trata-se de uma experiência-piloto, a ser executada no Rio de Janeiro, em ação conjugada dos governos federal, estadual e municipal.

A favela escolhida foi a da Rocinha, na zona sul do Rio, a maior do País, com mais de cem mil habitantes.

        Por coincidência, o projeto obedece às linhas gerais expostas em meu artigo de domingo passado. Inclui reurbanização, com abertura de vias de acesso e circulação, saneamento básico e iluminação pública; escolas, postos médicos e pronto-socorros; policiamento comunitário; agências de emprego; e, finalmente, quadras esportivas e centros de cultura, com vista à massificação das artes e dos esportes.

        A experiência será estendida às favelas da Maré e do Alemão e, depois, à periferia de outras cidades brasileiras. Custará bilhões de reais, mas se for continuada pelos governos seguintes, mudará radicalmente a paisagem urbana do nosso país em poucos anos.

        O Brasil não pode continuar a ter cidades bipartidas, com uma banda opulenta e outra miserável. Mudar isso, repito, é uma exigência de natureza ética.

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: