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Congresso Nacional aprova crédito de R$ 85 milhões para a candidatura do Rio aos Jogos Olímpicos de 2016.

Julho 18, 2008

O Congresso Nacional aprovou, na última segunda-feira, crédito de R$ 85 milhões para a candidatura do Rio aos Jogos Olímpicos de 2016, segundo o Jornal O Globo publicado na última quinta-feira. Acho válido, mas acredito que quando falamos sobre verba para as Olimpíadas de 2016 deveríamos falar também da desfavelização da cidade, para que possamos ter um Rio tranquilo. O turismo será beneficiado, a economia e a própria candidatura. É incrível como as autoridades administrativas sequer pensem no assunto. Isto é uma vergonha e um atraso para a nossa cidade. Leiam abaixo a matéria na íntegra publicada no Jornal O Globo:

 

 

Garantida verba para a candidatura

Congresso Nacional aprova crédito de R$ 85 milhões

 

Durante a solenidade de criação do Escritório Setorial de Gerenciamento de Projetos de Esporte, Turismo e Lazer (EGP), para a candidatura do Rio aos Jogos Olímpicos de 2016, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, anunciou a aprovação de um crédito de R$ 85 milhões para a candidatura do Rio. Segundo Nuzman, o valor foi aprovado pelo Congresso Nacional na segunda-feira, com unanimidade dos partidos políticos. Além do presidente do COI, estiveram presentes na solenidade o governador Sérgio Cabral; a secretária de Turismo, Esporte e Lazer, Márcia Lins; o secretário da Casa Civil, Régis Fichtner; e o vice-governador Luiz Fernando Pezão.

 

- O processo de aprovação do crédito será encaminhado para o presidente Lula para ser assinado. Só depois do procedimento, os recursos serão liberados – afirmou Nuzman.

 

Os documentos deverão ser entregues aos membros do COI até o dia 12 de fevereiro do ano que vem. A votação acontece no dia 2 de outubro de 2009. Para o governador Sérgio Cabral, a aprovação para a segunda fase é resultado da capacidade que o Rio mostrou de realizar grandes eventos. O projeto do dossiê de candidatura, apresentado ontem, contará com 17 temas, dentre eles, segurança e transportes. Nuzman reafirmou que o apoio dos governos é fundamental, como nos Jogos Pan-Americanos. O presidente do COI destacou ainda o cenário internacional favorável e o projeto diferenciado da candidatura do Rio.

New York Times: Milícias substituem gangues como reis do crime no Rio

Junho 13, 2008

Em todos os jornais cariocas há o destaque á matéria publicada hoje pelo jornal americano New York Times, cujo título é: “Milícias substituem gangues como reis do crime no Rio”. O trecho da reportagem que mais chamou a atenção dos jornalistas brasileiros foi “ O Brasil é um país que passa por um boom econômico que está tirando milhões de pessoas da pobreza. Mas no Rio, o incidente, que veio à tona em uma série de artigos publicados pelo jornal O Dia, se tornou um proeminente sinal das pressões nesta cidade, contaminada pela violência e por uma força policial notoriamente corrupta”, disse o NYT.

Segundo matéria do Jornal do Brasil, o periódico New York Times, conta em suas linhas que os baixos salários acabam levando policiais, bombeiros e funcionários de prisões a formar as milícias, enquanto mantêm seu trabalho regular.

Ainda segundo a reportagem, as milícias que assumem o controle das favelas ameaçam o Rio de Janeiro. O texto ainda discorre sobre o crescimento econômico do país e em paralelo a proliferação das favelas. Junto a esse crescimento desordenado das comundiades, surgem as milícias, uma vez que a polícia está ocupada combatendo traficantes.

“As milícias preencheram um vácuo de autoridade prometendo aos moradores segurança em troca de pagamentos. Ao mesmo tempo, eles tomam para si uma série de empresas ilegais: o controle do suprimento de água e gás natural, de máquinas de apostas, a divisão de conexões de TV a cabo e, em muitos casos, a venda de drogas”.

 “As milícias, estimadas entre 60 e 100, têm conexões poderosas e freqüentemente estão ligadas não apenas à força policial da cidade, mas também a políticos que oferecem um porto seguro em troca da garantia de votos ou dinheiro dos moradores” afirmou a reportagem, que cita casos como do vereador Jerônimo Guimarães Filho, preso em dezembro acusado de formação de milícia, e do deputado e ex-chefe de polícia do Rio Álvaro Lins, acusado de ajudar na formação de grupos armados.  A polícia tem medo de agir contra as milícias por causa das violentas represálias, disse o jornal.

O pior de tudo isso é que o renomado jornal americano não diz mentira em suas linhas. E é justamente esta a imagem que fica de nossa cidade. Já intercionalizamos que o Rio de Janeiro parece uma cidade sitiada; com  favelas e marginais (da lei ou não) que podem atacar a qualquer momento. Isso não é imagem. É real.

Em contrapartida a isso, vejo matéria publicada no Jornal O Globo  que diz que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá disponibilizar R$ 86 milhões para a campanha  do Rio na disputa para sediar os Jogos Olímpícos de 2016. A verba será usada em publicidade de campanha.

É até paradoxo.Enquanto o mundo explode…só se pensa no romantismo. Precisamos de verba para desfavelizar a cidade.Pecisamos urgente de um Rio sem favelas, para que esta reportagem publicada no NYT vire um pesadelo do passado e as Olimpíadas em 2016 um sonho do futuro próximo.

Veja na íntegra as reproduções da matéria do NYT nos jornais Globo Online e JBOnline.

Desfavelização pode ajudar o Rio a vencer disputa para sediar Olimpíadas de 2016

Junho 10, 2008

 A Revista Carta Capital publicou nota, no último dia 8, sobre o desastre que pode ser a cidade do Rio de Janeiro sediar o Rio de Janeiro. A nota lembrou que a organização dos Jogos Pan-americano, ocorridos no ano passado, registrou incontáveis atrasos, contratações sispeitas e ainda teve o orçamento estourado por mais de dez vezes. O que prejudicou os cofres públicos. Já a Revista Época publica, Rio não é a favorita para sediar as Olimpíadas de 2016.
 Isto acontece porque o nosso Rio de Janeiro, tido como a “ Cidade Maravilhosa” não é mais vista como tão maravilhosa assim. A imagem da cidade está abalada. As favelas impõem medo aos turistas, deixa o Rio mais violento e expõem os moradores destas comunidades às situações mais extremas. Precisamos da desfavelização da cidade.

Os 3,8 bilhões do orçamento geral da União relativos ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e destinados à urbanização de favelas e saneamento básico são uma grande oportunidade para tentarmos reverter esse quadro. Todavia, ressalte-se que, se pensarmos da maneira tradicional, ainda que a cifra seja bastante significativa, não será suficiente para resolvermos todos os nossos problemas. Por outro lado, se utilizarmos os recursos para criarmos uma espiral de desenvolvimento os resultados no longo prazo poderão ser infinitamente mais interessantes.
 
A questão é simples. Sabedores de todas as peculiaridades da administração pública. Mas vamos pensar como administradores privados: se alguém recebe um bom montante e corre para comprar com ele imediatamente os bens que precisa,  a operação se interrompe neste ato. No entanto, se investestirmos em alguma aplicação que gere recurso e com ele faça suas compras, ainda que mais lentamente, a possibilidade de geração de riqueza real se perpetua. Por mais que seja tentador aplicar o recurso principal diretamente em áreas pontuais de maior carência, esta, quase nunca, será a melhor estratégia. Concessões políticas no uso do dinheiro público são perigosas. Com pouco recurso na mão devemos utilizá-lo como contrapartida para alavancar mais recursos e para criar condições que atraiam parceiros. Mais que isso, o investimento deve ser feito prioritariamente em locais e segmentos da economia que tenham maior capacidade de gerar renda no menor prazo possível.
 
A Zona Sul, a Barra da Tijuca, o Centro, São Cristóvão e o entorno do Maracanã são locais que deveriam receber investimentos prioritários pelo seu grande potencial turístico e sua capacidade de com baixo investimento gerar riqueza e renda em pouco tempo. Por tanto, devem ser as primeiras áreas a serem desfavelizadas. Certamente, a indústria do turismo, principal atividade da Cidade do Rio, seria muito beneficiada com a criação de um cinturão de ordem urbana e segurança pública nessa região e poderia gerar recursos significativos para serem investidos em áreas mais carentes.
 
Em um segundo momento, a recuperação do entorno de grandes vias como Linhas Vermelha e Amarela, também fundamental para a região metropolitana, permitiria os deslocamentos com segurança de agentes geradores de negócios, inclusive turistas recém chegados no aeroporto internacional, e melhoraria a imagem da Cidade no exterior.

Rio é finalista para sediar jogos olímpicos de 2016

Junho 5, 2008

Rio de Janeiro Vocês viram?  O Rio de Janeiro está entre as cidades finalistas na  disputa para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Nossa bela cidade concorre com as cidades de Chicago, Tóquio e Madri. É a primeira vez que o Rio consegue ficar entre as finalistas.  E a partir de amanhã as cidades têm de elaborar um dossiê de candidatura. A nota do Rio de Janeiro foi a mais baixa entre as outras concorrentes. Em segurança, foi a única a tirar nota abaixo de seis.

 Também pudera! Com tantas favelas seria difícil ficar com nota superior. E o prefeito Cesar Maia ainda declarou que o Rio de Janeiro é uma cidade pacífica. Quê?! Por um momento pensei que não ouvi direito, mas depois refleti e vi que se tratava da mesma pessoa que prefere “mudar o clima da cidade” a resolver o problema da dengue.

O problema de nosso estado é que se prefere gastar muito dinheiro com medidas paliativas enquanto nada é feito na raiz do problema.

Pudemos ver no post anterior o quanto a desfavelização é importante para o turismo. Também já falamos o quanto é importante desfavelizar a cidade para mantermos a questão da segurança sob controle. O que não acontece hoje.

Bastou a candidatura do Rio de Janeiro ser anunciada que imediatamente surgiram críticas por toda a web. Alguns comentários ironizavam: diziam que o Rio é a cidade mais preparada para sediar os jogos olímpicos de 2016, uma vez que os turistas iriam se divertir mais, aventurando-se em longos engarrafamentos, tiroteios freqüentes em favelas que originam balas perdidas entre outras mazelas que nossa cidade conhece bem.

Em um primeiro momento fiquei triste ao ler tal comentário, mas depois vi que é verdade. Precisamos de mais investimentos em turismo e segurança. Acredito que investir na desfavelização de nossa cidade é garantir melhorias significativas nos dois quesitos.

Favela não é ponto turístico

Junho 2, 2008

 

Mexendo em algumas gavetas, encontrei três cartões postais com imagens de favelas. Dois destes cartões eram retratos em preto e branco e o outro imitava uma tela pintada a óleo. Parece que favela virou ponto turístico e motiva a especulação de empresários. Porquê? Ser favelado é motivo de admiração de estrangeiros, que acham que podem fazer da falta de condições destes moradores uma espécie de safári para o seu divertimento? Que absurdo! Alguns sites hoteleiros chamam de turismo da realidade, mas eu prefiro chamar de desrespeito. Isso e arrumar o famoso “jeitinho brasileiro” para ganhar vantagens em cima de um problema. O que para muitos parece ser mais fácil que resolvê-los.

Por que não se faz o contrário? Vamos promover a desfavelização nas áreas turísticas. Vamos imaginar o que seria a Zona Sul, por exemplo, sem favelas. Com certeza isso atrairia mais turistas e movimentaria nossa economia. Os hotéis lotados, restaurantes cheios e a região mais segura.

É fato que o turista não pode mais caminhar tranqüilo na Praia de Copacabana. Crianças e adolescentes das favelas da região os abordam com freqüência:pedem dinheiro, praticam pequenos furtos ou até cometem assaltos a mão armada. Essas crianças não deviam estar atrás dos turistas e idosos da Zona Sul.  Não mereciam estar à mercê da ostentação do tráfico de drogas das favelas. Desfavelizar a Zona Sul é garantir dignidade à população, movimentar a economia e dar segurança aos moradores e turistas que visitam a cidade.